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FACENTAssessoria em Produtos Controlados (PCE), página inicial

Explosivos e SICOEX · 27 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

Utilização de Explosivos em Pedreiras: Normas do Exército

Pedreiras que empregam explosivos precisam de Certificado de Registro válido para a atividade, autorização de aquisição junto a fornecedor registrado, guia de tráfego para o transporte, paiol licenciado para armazenagem e escrituração das operações no SICOEX, com o saldo declarado conciliado ao estoque físico.

Numa pedreira, o explosivo é insumo de produção — e é o único insumo cuja movimentação o Estado acompanha unidade por unidade, do fornecedor até a detonação.

Este guia trata do que a norma espera de uma lavra que emprega explosivos: quais autorizações compõem a operação, como a escrituração se encaixa na rotina de campo e onde a fiscalização costuma encontrar problema.

O que muda quando a lavra emprega explosivos

A diferença em relação a outros insumos é a rastreabilidade contínua. Não basta comprovar a compra: é preciso demonstrar, a qualquer momento, quanto entrou, quanto foi consumido, quanto sobrou e onde o saldo está.

Isso reorganiza a rotina em três frentes que precisam conversar:

  • Regulatória — registro, autorizações e escrituração
  • Operacional — planejamento de fogo, consumo e sobras
  • Física — paiol, guarda e controle de acesso

Quando as três não conversam, a divergência aparece. E divergência em explosivo tem tratamento mais severo do que em qualquer outro produto controlado, porque explosivo desviado é risco de segurança pública.

Registro da atividade e produtos autorizados

A base é o Certificado de Registro válido para as atividades pretendidas com explosivos e acessórios. Registro para uma atividade não autoriza outra: utilizar é diferente de comercializar, e ambos são diferentes de transportar.

Dois pontos práticos:

  • A relação de produtos importa. Ter CR não significa poder adquirir qualquer explosivo ou acessório — vale o que consta autorizado. Produto novo exige averbação.
  • A quantidade importa. A capacidade de guarda declarada precisa comportar o que se pretende estocar.

Detalhamento do registro no guia do Certificado de Registro.

Aquisição junto a fornecedor registrado

A compra é autorizada, não livre. Em linhas gerais, o ciclo envolve:

  1. Autorização de aquisição, no produto e na quantidade que o registro permite
  2. Fornecedor igualmente registrado para a atividade
  3. Documentação da operação, que alimenta a escrituração
  4. Guia de tráfego para o deslocamento até a lavra

O erro que mais aparece é comercial: comprar de fornecedor que oferece condição melhor sem verificar o registro dele. A irregularidade contamina os dois lados da operação.

Paiol: licenciamento, capacidade e segurança

O paiol é a instalação onde o produto fica entre a entrega e o consumo, e ele é objeto de licenciamento próprio. O que costuma ser exigido:

Aspecto O que se espera
Licenciamento Instalação autorizada para o produto e o volume
Capacidade Compatível com o estoque efetivamente mantido
Segregação Explosivos e acessórios de detonação separados conforme a norma
Controle de acesso Quem entra, quando, com registro
Condições físicas Estrutura, ventilação e distâncias de segurança
Escrituração Entradas, saídas e saldo, atualizados

Ampliar o paiol ou mudá-lo de local costuma exigir atualização do registro. É uma alteração física que muitas empresas tratam como decisão operacional interna, sem perceber que o registro descreve as instalações que a vistoria vai encontrar.

Escrituração das operações e conciliação de saldo

A escrituração no SICOEX acompanha o ciclo do produto: entrada, movimentação interna, consumo, sobras e devoluções.

O ponto crítico é o consumo. A quantidade planejada para um fogo raramente coincide com a efetivamente empregada, e a diferença precisa ser registrada em vez de arredondada. Sobra não lançada vira, no papel, produto desaparecido.

A disciplina que sustenta isso:

  • Lançar no dia da operação, com dado vindo do controle de campo
  • Conferência semanal do saldo do sistema contra o controle da frente
  • Contagem física periódica no paiol, com fechamento contra o sistema
  • Nunca ajustar o sistema para bater sem apurar a causa da diferença

Esse último ponto merece ênfase. Ajuste sem rastro parece encobrimento, e é lido como tal.

Responsabilidade técnica do desmonte

A operação de desmonte tem responsável técnico, e a pergunta "quem responde tecnicamente por isso?" aparece em toda vistoria. Manter no registro o nome de quem não responde mais pela operação é ponto recorrente de autuação.

Quando o desmonte é executado por empresa contratada, a cadeia de responsabilidade precisa estar documentada nas duas pontas. O desenho precisa responder, no mínimo:

  • Quem adquire o explosivo?
  • Em nome de quem saem a autorização de aquisição e a guia de tráfego?
  • Onde o produto fica guardado entre a entrega e o consumo, e sob qual registro?
  • Quem lança o consumo no sistema?
  • Quem responde tecnicamente pela detonação?

Contrato que resolve isso com "a contratada é responsável por toda a documentação" costuma não resistir a uma fiscalização de canteiro.

Controles ambientais e minerários em paralelo

Vale registrar o que este guia não cobre: a operação de lavra está sujeita a licenciamento ambiental e a regramento minerário próprios, em outros órgãos, com prazos e obrigações independentes.

Atender o controle do Exército não dispensa nenhum dos outros, e o inverso também vale. Na prática, a pedreira convive com pelo menos três calendários regulatórios distintos — e é a soma deles que define se a lavra opera.

Para revisar a cadeia de autorizações e a escrituração da sua lavra, peça um diagnóstico de explosivos.

Perguntas frequentes

Quem pode responder tecnicamente pelo desmonte?

A operação de desmonte tem responsável técnico, e a habilitação exigida varia com a atividade. O ponto que mais aparece em vistoria é outro: manter no registro o nome de quem não responde mais pela operação compromete a rastreabilidade da responsabilidade.

Pedreira que contrata terceiro para detonar precisa de registro?

A cadeia de responsabilidade precisa estar documentada nas duas pontas. Quem adquire, em nome de quem saem autorização e guia, onde o produto fica guardado e quem lança o consumo — são perguntas que o contrato precisa responder, e que a fiscalização de canteiro costuma cobrar de ambos.

O que a vistoria de paiol verifica?

Licenciamento e compatibilidade da instalação com o produto e o volume, contagem física contra o saldo declarado, segregação entre produtos incompatíveis, controle de acesso e coerência entre o armazenado e a relação autorizada no registro.

Sobra de detonação pode ficar no paiol indefinidamente?

O retorno de sobra ao paiol precisa ser lançado, e o saldo resultante precisa fechar com a contagem física. A falha mais comum não é a sobra em si — é o retorno não registrado, que faz o produto aparecer como consumido no papel e presente no paiol.

Estas respostas têm caráter informativo e descrevem o rito usual dos processos. Não substituem a análise do caso concreto: obrigações, prazos e documentos variam com a atividade, os produtos movimentados e o órgão competente.

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